Que Dia é Hoje?

14/11/1975
O Programa Nacional do Álcool é lançado

O Programa Nacional do Álcool (PróÁlcool) surgiu no contexto da crise do petróleo. A notícia de que o petróleo é uma riqueza esgotável, juntamente com a criação da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) desencadeou, na década de 70, uma crise mundial.

O preço do barril triplicou de valor e a OPEP passou a configurar uma espécie de cartel, unificando o preço do produto e controlando sua oferta no mercado. Além de todos estes fatores, o petróleo passou a ser instrumento político usado para fazer pressão nos países desenvolvidos (grandes importadores do produto). O PróÁlcool tinha então o objetivo de estimular a produção de álcool e, conseqüentemente, a fabricação de carros que o utilizassem como combustível; substituir em larga escala os derivados do petróleo; além de proteger o mercado interno das variação no preço do produto.

De 1975 a 2000, foram produzidos cerca de 5,6 milhões de veículos movidos a álcool hidratado. O programa ainda acrescentou uma fração de álcool anidro (entre 1,1% e 25%) no volume de gasolina pura consumida por uma frota superior a 10 milhões de veículos, evitando emissões de gás carbônico da ordem de 110 milhões de toneladas de carbono. Esse acréscimo evitou, ainda, a importação de aproximadamente 550 milhões de barris de petróleo o que proporcionou uma economia de divisas da ordem de 11,5 bilhões de dólares.

Embora tenha obtido um grande sucesso em meio à crise do petróleo, os problemas com os preços não duraram para sempre e, à medida que o preço internacional do petróleo baixava, o álcool se tornava pouco vantajoso para consumidores e produtores. A desvantagem foi agravada ainda mais pois o preço do açúcar aumentou no mercado internacional. Assim, era muito mais lucrativo para os usineiros produzir açúcar no lugar do álcool de cana-de-açúcar. Por isso, passou a ser comum a falta de álcool nos postos, deixando os donos dos carros movidos a combustível vegetal sem opções.

Essas sucessivas crises de desabastecimento, aliadas ao maior consumo do carro a álcool e o menor preço da gasolina, levaram o Pró-álcool ao declínio, até que a maioria das montadoras deixou de oferecer mais modelos novos movidos a álcool. No entanto, o álcool voltou a ter posição de destaque e a produção de carros flex (que funcionam tanto a gasolina quanto a álcool) mostra que o combustível tem força para substituir a gasolina.